terça-feira, 19 de abril de 2011

Contra o Twitter

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    Se tem uma coisa que eu não entendo na história recente da internet é o sucesso do Twitter. Qual a utilidade desse maldito "microblog" afinal? Convido você a analisar brevemente alguns prós e contras desse recente fenômeno da Internet mundial:


     Acredite, eu tentei ser imparcial na tabela acima. Como toda mente científica, gosto de números, por isso fui atrás de estatísticas para melhor entender o fenômeno Twitter. Alguns dados recentes (março de 2011) divulgados no blog oficial do Twitter: Média de 140.000.000 de tweets por dia, e 460.000 novas contas por dia. Impressionante, não? 
     Para minha tristeza, o Brasil parece ser o país onde essa aberração é mais popular (em percentual de pessoas com acesso a internet que acessam o Twitter):



     Mas todos esses números não dizem muita coisa, são apenas dados brutos. Para um verdadeiro raio-X diagnóstico do Twitter, é preciso procurar em outras fontes. Aí sim encontramos dados mais interessantes, como este resultado de um  singelo estudo feito pela firma americana PearAnalytics:

Classificação de uma amostra aleatória de 2.000 tweets, coletados ao longo de 2 semanas. "Pointless babble", na classificação dos autores, são aquelas mensagem do tipo "Estou comendo um sanduíche agora". O relatório completo está disponível no site da empresa.



     Chamo a atenção para os 40,5% de besteirol inútil, coisas que provavelmente nem a mãe do usuário teria interesse em saber. Claro que esse resultado não surpreende ninguém que já tenha experimentado o Twitter! A segunda parcela mais importante dos tweets foi a conversa pura e simples, uma funcionalidade plenamente atendida por outros meios (MSN, Facebook, etc).
     Outro dado revelador é  que o número de usuários ativos (com pelo menos um tweet por mês) é na verdade muito baixo, cerca de 17% (mais detalhes na notícia do IDGNow). E embora o Twitter continue crescendo bastante, o ritmo desse crescimento vem caindo desde seu máximo em março de 2009 (mais detalhes no Hubspot). Se juntarmos o crescimento possante com o baixo índice de usuários ativos, temos uma boa pista do que deve estar acontecendo: a rotatividade é altíssima, muitas pessoas apenas testam o Twitter, não gostam e nunca mais voltam. Como dificilmente as pessoas se dão o trabalho de fechar formalmente suas contas, elas permanecem lá como usuários-fantasma, inflando os dados para sempre.
     Vou me deter um pouco sobre dois problemas fundamentais no Twitter, que inevitavelmente causarão seu declínio e queda num futuro próximo. O primeiro é o baixíssimo índice sinal/ruído, ou seja, pouca informação relevante navegando num mar de imbecilidades que você não quer ler. A ideia de que a massa de usuários automaticamente selecionaria o que é importante, fazendo emergir as informações relevantes e rapidamente esquecendo as besteiras faz algum sentido, mas não funciona tão bem na prática... muitas vezes ocorre o fenômeno oposto: uma besteira colossal de repente "bomba" no Twitter (e esse fato por si só acaba virando notícia na mídia convencional, o que é lamentável).
       A ideia de ficar "antenado" com o que rola no mundo é válida, mas existem outros meios para isso, menos influenciados por fenômenos de multidão. Quer ser abastecido com notícias atualizadas, com total controle sobre a fonte e focada nos assuntos que mais te interessam? A solução passa longe do Twitter, e se chama RSS. Procure seus jornais preferidos na Internet: quase todos atualmente deixam você se inscrever gratuitamente nos Feeds RSS de notícias, e ainda permitem escolher que temáticas você quer receber (assim você pode se livrar das onipresentes e odiosas notícias sobre a edição em curso do BBB). Você também pode, mesmo no século XXI, simplesmente assistir seu telejornal favorito à noite ou comprar seu jornal em papel e ver as notícias do dia anterior.. não há nada de errado nisso! (Quem acha que precisa estar constantemente antenado com os fatos para ter assunto para conversar provavelmente é uma pessoa entediante e sem conteúdo) 
     A outra falha fundamental do Twitter é que todos os amigos/seguidores recebem a mesma mensagem. A semelhança é notável (tanto pelo tamanho quanto pela relevância) com aquelas “mensagens promocionais” que ninguém gosta de receber no celular. Quando conversamos com alguém pessoalmente (ou mesmo por telefone ou msn), cada interlocutor está constantemente ajustando a forma e o conteúdo da mensagem às reações do outro. É isso que torna as conversas significativas, únicas e interessantes. Você não gostaria de falar as mesmas coisas (e do mesmo modo) com seu chefe, sua mãe e seus amigos de infância, não é? Pois é exatamente isso o que o Twitter acaba fazendo com a sua comunicação...
       Por motivos que eu desconheço, o Twitter ganhou uma popularidade desproporcional desde 2009, atraindo (além da grande massa de jovens desocupados mas antenados) personalidades públicas respeitáveis e grandes empresas de comunicação (CNN, Folha, Globo, etc). Virou um canal obrigatório para toda empresa com pretensões modernosas. É bom que se diga que, para as empresas e famosos, o Twitter faz total sentido, afinal é uma forma baratíssima de marketing. Mas quem faz uma rede social são os usuários comuns. Para explicar o sucesso do Twitter entre as pessoas comuns, penso em duas causas principais: 1) as pessoas gostam mesmo de perder tempo com fofocas e besteiras; 2) espírito de rebanho (também conhecido como "moda").
     Para terminar em grande estilo e com otimismo, vou arriscar uma previsão sobre o futuro do Twitter. Falando em termos epidemiológicos, as pessoas começarão a se curar desse "vírus". Um grande número de pessoas já esteve infectada (mesmo que só por um dia) e agora está definitivamente imune. Os usuários mais inteligentes e os que tem mais o que fazer da vida vão abandonar primeiro o microblog, tornando o conjunto de mensagens cada vez mais pobre, cada vez mais idiota, ajudando a espantar mais e mais usuários desiludidos (as empresas demorarão um pouco mais para debandar em massa). Não estou falando do encerramento definitivo das atividades do Twitter (afinal, buscadores anteriores ao Google ainda existem), mas aposto que o passarinho azul deixará de voar e rolará inexoravelmente ladeira abaixo rumo ao esquecimento merecido antes de 2014. 

5 comentários:

  1. Grande Ricardo! Profeta do apocalipse dos microblogs! Eu devo admitir que abri uma conta no Twiter em 2009 pra receber atualizações sobre o trânsito em Belém mas depois de tantas besteiras que recebi junto, resolvi sair... Sou mais os RSS mesmo!

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  2. Devo concordar com o Ricardo nesse ponto...tenho ainda uma conta, que de vez enquanto a utilizo, mas não acho mais interessante como antes, no momento em que criei. Porém não acho tão inutilitário, entretanto, me rendo a profecia, a qual é tão clara e evidente, que já está acontecendo!!
    Amanda Mello

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  3. Muito interessante. Olha só, alguns comentários: como não és usuário do twitter, achei a 1º tabela enviesada pro lado dos contras. Em relação a estes, eles existem, mas é só saber filtrá-los. Um pró interessante é interagir com pessoas desconhecidas, mas de gostos semelhantes, algo que já existia na net mas se tornou mais dinâmico. Pra finalizar, achei surpreendente tua disposição de fazer esses posts, kkkkk.

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  4. Obrigado pelos comentários, pessoal! Sávio, tens que ver que é um post de opinião, então eu disse o que penso, mas admito que a tabela ficou meio enviesada. Quanto a conhecer pela net novas pessoas com gostos semelhantes, ainda prefiro as velhas comunidades do orkut mesmo! Claro que qualquer ferramenta pode dar bons e maus resultados, de acordo com a habilidade do usuário.. mas acho que o Twitter favorece imensamente os maus resultados!

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  5. Acho que no final das contas a culpa dos maus resultados é das pessoas e não da ferramenta. Se as pessoas que não usam bem não tiverem o twitter pra fazer "besteira" elas vão fazer isso em outro lugar e vão achar outro nicho. Um dia foi o icq (mirc), depois orkut, msn, facebook, twitter, daqui a pouco pode ser o Zeemp (do nosso amigo Paulo Foley). Não adianta.

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